Resgate de um mergulhador inconsciente a partir do fundo

No curso de Rescue Diver diferentes de habilidades são abordadas. Entre elas temos:
  • Subida com um mergulhador inconsciente;
  • Lidando com um mergulhador inconsciente na superfície.
A combinação destas duas habilidades pode ser dividida em três fases, são elas:
  • Preparação para subida;
  • Subida com o megulhador incosciente;
  • Procedimentos na superfície.

Cada uma destas etapas apresentam uma série detalhes e também uma série de dúvidas, por essa razão hoje publico uma postagem que trata sobre esse tema.

É importante frisar que essa postagem é dedicada aos mergulhadores certificados como RESCUE DIVERS ou para aqueles que estejam em treinamento.

Mas isso não impede que aqueles que não tenham essa certificação ou estejam em treinamento possam aproveitar o conehcimento aqui apresentado.

Quais as principais dúvidas existentes nessas habilidades?

Preparação para Subida
  • Se o regulador estiver fora da boca, ele deve ser colocado?
  • Se o mergulhador está convulsionando, deve a subida ser adiada até que a convulsão passe?
Subida
  • O que é uma velocidade de subida “segura”?
  • Se o socorrista precisa fazer uma descompressão deve ele levar a vítima à superfície?
  • É necessário segurar a cabeça da vítima em uma determinada posição?
  • É necessário pressionar no peito da vítima para garantir a liberação do ar/gás em expansão?
Procedimentos na Superfície
  • É realmente possível fazer uma avaliação da respiração da vítima na água?
  • É possível fazer ventilações eficazes na água?
  • Qual é a probabilidade de circulação persistir após a parada respiratória?
  • A recente recomendação de se fazer somente as compressões torácicas para uma parada cardiorrespiratória sugerem que as ventilações de resgate na água não devem ser administradas a um mergulhador não está respirando? 
Para tentar responder cada uma dessas questões vou usar um estudos chamado Recommendations for rescue of a submerged unresponsive compressed-gas diver [link]. Neste trabalho o comitê de mergulho SCUBA Undersea and Hyperbaric Medical Society [UHMS] revisou as evidências disponíveis sobre os aspectos médicos do resgate de um mergulhador inconsciente a partir do fundo.

Fase 1 – Preparação para Subida

Se o regulador não estiver na boca do mergulhador ele deve ser recolocado?

Não é possível dizer que existem evidências consistentes que possam nos levar a uma resposta definitiva desta questão. De forma geral a recomendação diz que se o mergulhador for encontrado sem o regulador na boca não se deve perder tempo na tentativa de recoloca-lo. Se o mergulho estiver sendo realizado em um ambiente de teto (cavernas ou naufrágios) essa pode ser uma situação onde pode ser válida a tentativa de colocar o regulador na boca do mergulhador.

Sempre que o resgatador tentar algum tipo de manipulação das vias aéreas existe um risco de entrada de água e as vantagens da recolocação do regulador não são certas, mesmo que seja claro o menor risco de entrada de água e possível afogamento com o regulador na boca.

Caso o mergulhador seja encontrado com o regulador na boca é importante que ele seja mantido nessa posição, ainda mais se a vítima estiver respirando.

Se o mergulhador estiver convulsionando e subida deve ser retardada?

Manual de Mergulho da Marinha Americana – Revisão N°6 recomenda que caso um mergulhador esteja convulsionando este seja mantido no fundo até que convulsão passe. Essa recomendação é baseada na suposição de que a durante uma convulsão a glote permanece fechada e assim o ar em expansão durante a subida poderia chegar um barotrauma pulmonar.

Contudo antes de decidirmos qual a melhor ação é necessária a consideração de dois pontos. Muitos médicos em situações de emergência conseguem fazer ventilação pulmonar em pacientes sofrendo convulsões prolongadas. Isso parece ser possível, pois nesta situação a obstrução da glote parece ser parcial e não total. Um trabalho chamado “Patency during Experimental Cortical Seizuresin Piglets” realizado por Leaming JM e colaboradores em 1999 demonstrou que em animais (porcos) a obstrução da glote parece ser inspiratória e a função expiratória permanece mantida. O segundo pontos se refere ao fato de que no final de uma convulsão pode ocorrer uma profunda inspiração na tentativa de retomada da respiração e se isso acontecer com as vias aéreas desprotegidas existe um risco real de afogamento.

Considerando estas informações a recomendação atual diz que se o mergulhador for encontrado convulsionando e o regulador não estiver na boca à subida não deve ser atrasada. Porém se o mergulhador estiver como regulador o resgatador deve selar o bocal e os lábios do mergulhador e atrasar a subida até que a convulsão termine.

Fase 2 - Subida

Qual velocidade de subida é segura?

No PADI Rescue Diver é recomendado que  um velocidade de subida segura seja mantida, porém uma velocidade específica não é citada. Considerando a vítima, o mais seguro é a velocidade de subida mais rápida possível. Contudo essa não pode colocar o mergulhador resgatador em rico, assim minha sugestão é que a velocidade seja de até 18 metros/minuto. Mas podemos considerar que a velocidade segura é uma questão de caberá ao resgatdor decidir. 

Devo realizar a parada de segurança?

Como uma parada de segurança em um mergulho não descompressivo não é obrigatória e o princípio geral de emergência diz que os socorristas não devem se colocar em risco irracional para efetuar um resgate. Podemos dizer que em uma situação de subida com um mergulhador inconsciente e a não realziação de uma parada de segurança é um risco aceitável para o mergulhador resgatdor, já a probalbilade de Doença Decompressiva é baixa.

É necessário segurar a cabeça da vítima em uma determinada posição?

O objetivo do posicionamento da cabeça para a subida é facilitar a saída dos gases em expansão dos pulmões da vítima e assim evitar barotrauma pulmonar. Por essa razão o pescoço deve ser mantido em uma posição neutra a ligeiramente posição estendido. com  elevação do queixo. Essa posição da cabeça permite que o gás em expansão passe passivamente pelas vias aéreas fazendo com que umpara barotrauma pulmonar seja raro.

É necessário pressionar o peito da vítima para garantir a expiração?

Alguns mergulhadores acreditam que a compressão do tórax durante a subida para promover a saída do ar dos pulmões poderia minimizar o risco de barotrauma pulmonar, contudo não exsitem evidências de que essa técnica seja mais eficaz do que apenas garantir que as vias aéreas estejam abertas pelo posicionamento correto da cabeça. Além disso, aa compressão torácica apresenta a desvantagem aumentar a sobrecarrega de tarefas do resgatador, que além de simultaneamente ter que controlar a flutuabilidade, manter posição apropriada da cabeça e garantir aque o regulador fique na boca da vítima (se for o caso). Por estas razões essa técnica não é recomendada.

Fase 3 – Procedimentos na Superfície

É possível fazer uma avaliação da respiração na água?

Não podemos negar que difícil avaliarmos a respiração de um mergulhador completamente equipado e flutuando na superfície. O erro mais provável seria a falha em detectar a respiração quando está presente, do que achar que a vítima está respirando quando ela não está. Devemos considerar que  administrar respirações de resgate para alguém que já está respirando apresenta riscos mínimos, o resgatador não deve hesitar em aplicá-las.

As respirações de resgate eficazes podem ser realizadas na água?

As evidências apontam que salva-vidas conseguem administrar ventilações de socorros de forma efetiva em águas profundas em vítimas de afogamento. Os mergulhadores apresentam maior volume devido aos equipamentos, estes mesmos equipamentos oferecem mais flutuação, fazendo que as ventilações possam até mesmo serem facilitadas. Por essa razão elas podem sim ser eficazes.

Qual é a probabilidade de circulação persistente após parada respiratória?

Uma resposta definitiva sobre esse tema ainda nãopode ser dada considerando as evidências existentes até agora. Por essa razão em um acidente de mergulho que gere uma parada respiratória é provavel que exista a possibilidade que o início das ventilações de socorro possam evitar a progressão para parada cardíaca.

A recente recomendação de se fazer somente as compressões torácicas para uma parada cardiorrespiratória sugerem que as ventilações de resgate na água não devem ser administradas a um mergulhador que não está respirando?

Depois de muito anos de discussão sobre a “ressuscitação apenas por compressão” diferentes estudos mostraram parecem mostrar que essa técnica pode ser efetiva como técnica primeiras respostas a uma emergências (Emergency First Response). As vantagens apenas para compressão ressuscitação, podem incluir:
  • Eliminar a hesitação dos socorristas que estão desconfortáveisao usar técnicas boca-a-boca;
  • Evitar a deterioração do fluxo direto durante as pausas para fornecer respirações de resgate;
  • Evitar a inércia de fluxo que prevalece após tal pausas.
Contudo estes estudos ainda apresentam uma relevância incerta para o situação de mergulho, onde a parada respiratória é mais provável  devido a asfixia, e onde pode haver um intervalo antes da parada cardíaca. Porém, podemos considerar que as ventilações de socorro podem evitar a progressão para parada cardíaca. Essa afirmativa se reforça quando consideramos que alguns esepcialistas em afogamento argumentaram que a correção da hipóxia é a primeira prioridade e falha em fornecer ventilações de socorro pode comprometer o combate a essa hipóxia.

Considerando essas informações podemos dizer que a ressuscitação apenas por compressão durante o resgate de um mergulhador pode não ser relevante. Sendo assim recomendada a realização das ventilações de socorros combinadas coma as compressões torácicas (quando possível|) para aumentar a probabilidade de uma ressuscitação bem sucedida.

Espero que as informações descritas neste texto sejam úteis!

Grande Abraço...

Carlinhos

carlinhos@planetamergulho.com.br

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