Modelos Descompressivos
Esta postagem pode ser considerada uma continuação de duas outras já publicadas (Redução de Riscos - Mecanismo Básico daDescompressão e Planejamento de Mergulho - Tabelas ou Computadores) e trata dos modelos descompressivos utilizados utilizados nas tabelas de mergulho e computadores. Estes modelos servem tanto para mergulhos dentro dos limites de tempo sem parada, quanto para mergulhos que envolvam descompressão.
Trataremos dos seguintes temas:
- Modelos de Gases Dissolvidos
- Valores Máximos (Valores M)
- Modelos de Bühlmann
- Modelos de Bolhas
- Física das Bolhas
Modelo de Gases Dissolvidos
Estes modelos descompressivos são baseados no
revolucionário trabalho do fisiologista John Scott Haldane (1860-1936) que se
tornou reconhecido por seus experimentos sobre absorção de gases. Em 1908,
Haldane realizou experiências com mergulhadores da Real Marinha Inglesa com o
objetivo de produzir tabelas para
prevenção de doença descompressiva. Sua teoria sobre absorção de gases diz que
os diferentes tecidos corporais (ossos, músculos, gordura, etc..) absorvem
gases em velocidades diferentes, velocidades essas determinadas por fatores
como a vascularização dos tecidos. Como seria impossível representar todos os
tecidos corporais Haldane criou seis tecidos-compartimentos que representam
teoricamente os diferentes tecidos corporais.
As tabelas geradas pelo trabalho de Haldane em 1908
são baseadas em um modelo descompressivo chamado de Modelo Haldaneano que se
refere à quantidade de gás inerte dissolvido nos tecidos corporais e apresenta
uma série de princípios.
1° Princípio
de Haldane – “A absorção ou eliminação de
um gás por um determinado tecido ocorre de maneira exponencial.”
Como vimos anteriormente (Redução de Riscos - Mecanismo Básico daDescompressão) à medida que os tecidos vão absorvendo gás inerte o gradiente de pressão vai
diminuindo, já que a pressão parcial de gás vai se elevando nos tecidos e
ficando cada vez mais próxima a pressão parcial de gás inerte na mistura de
gases respirada. Quando os gases inertes estão sendo eliminados, o gradiente de
pressão também vai diminuindo, já que a pressão de gás nos tecidos vai se
reduzindo e ficando cada vez mais semelhante à pressão de gás na mistura de
gases respirada. Estas duas situações fazem com a tanto a velocidade de
absorção como a velocidade de eliminação de gás inerte vá se reduzindo com o
passar do tempo.
Para representar esta redução de velocidade
(eliminação e absorção) Haldane utilizou o conceito de meia-vida, que é
definido como o tempo necessário para que um tecido atinja 50% de saturação ou
elimine 50% do gás saturado. Considerando esse conceito matemático temos que um
determinado tecido precisaria de 6 meias-vidas para atingir 98,4% de saturação
ou 6 meias-vidas para eliminar 98,4% do gás saturado. Como este valor é muito
próximo de 100%, se utiliza o número máximo de 6 meias-vidas para considerar
que um tecido absorveu ou eliminou todo gás inerte possível.
2° Princípio
de Haldane – “A velocidade de saturação varia de tecido para tecido.”
A taxa com que determinada gás será absorvido por
um determinado tecido vai ser influenciada pelo gradiente de pressão
pulmão-sangue, pelo gradiente de pressão sangue-tecido, fluxo sanguíneo para o
tecido, número de capilares existentes no tecido e afinidade do tecido com o
gás em questão. Considerando estes aspectos Haldane determinou que os
diferentes tecidos corporais absorveriam ou eliminariam gás em velocidades
diferentes, ele criou os termos “tecidos rápidos” e “tecidos
lentos”. Como exemplo de tecido rápido temos o cérebro que possui um
elevado fluxo sanguíneo e uma ampla rede de vãos sanguíneos, absorvendo ou
eliminando gás rapidamente. Por outro lado, a gordura corporal por possuir
pouco fluxo sanguíneo e uma pequena rede de vasos é considerada um tecido que
absorve e elimina gás de forma lenta.
Para o desenvolvimento das tabelas de 1908, Haldane
elaborou um modelo matemático utilizando 5 tecidos-compartimentos que
representavam teoricamente a complexidade fisiológica do nosso organismo para
absorção e eliminação de gases inertes. A taxa de saturação ou eliminação de um
determinado tecido foi representada pelos diferentes tempos de meia-vida para
cada tecido, os 5 tecidos compartimentos de Haldane apresentavam as seguintes
meias-vidas:
|
Tecido-compartimento
|
Meia-vida (em
minutos)
|
|
1
|
5
|
|
2
|
10
|
|
3
|
20
|
|
4
|
40
|
|
5
|
75
|
3° Princípio
de Haldane – “A descompressão deve ser
iniciada por meio de uma grande diminuição da pressão ambiente.”
Haldane acreditava que descompressão deveria
iniciar com uma significativa redução da pressão ambiente que levaria a uma
supersaturação dos tecidos rápidos e contribuir para um aumento da taxa de
eliminação de gás inerte, diminuindo a taxa de absorção dos tecidos lentos.
Porém isso deveria acontecer de forma que a supersaturação não possibilitasse a
formação de bolhas.
4° Princípio
de Haldane – “A pressão de um gás em um
tecido não deve ser maior que aproximadamente o dobro da pressão ambiente.”
Durante os experimentos com os mergulhadores
Haldane observou em mergulhos de 10 metros de profundidade que não ocorreriam
casos de doença descompressiva independentemente do tempo de fundo. Porém em
maiores profundidades os casos de doença descompressiva podiam ser esperados.
Ele também notou que não ocorriam sintomas quando
reduzia a profundidade de 30 metros (4 ata) para 10 metros (2 ata) ou de 50
metros (6 ata) para 20 metros (3 ata), para qualquer tempo de fundo. O
importante dessas observações é a mudança de pressão em atmosferas absolutas
(ata), onde cada alteração de pressão representa uma modificação de 2:1.
Considerando este fato ele deduziu que o fator determinante da doença
descompressiva era a relação entre as pressões absolutas em diferentes
profundidades e não a diferença de pressão parcial de nitrogênio interna e
externa.
Foi baseado neste conceito que Haldane elaborou
suas tabelas, assumindo que o primeiro compartimento a atingir a barreira da
relação de 2:1 agiria como o controlador e definiria se o mergulhador poderia
ou não ir diretamente à superfície.
Valores Máximos (Valor M)
O modelo matemático desenvolvido por Haldane gerou
tabelas de mergulho que para mergulhos mais longos e mais profundos
apresentavam alguns problemas. O Dr. Robert D. Workman da Unidade de Mergulho
Experimental da Marinha Americana (EDU-USN) estabeleceu, em pesquisas
posteriores (1965), que a relação de 2:1 na realidade deveria ser de 1,58:1
para considerar o conteúdo de nitrogênio no ar ou seja 79% (1,58) de 2.
Ao revisar os dados de Haldane ele concluiu que a
taxa de supersaturação varia de acordo com o meio-tempo (meia-vida) do tecido.
Tecidos rápidos suportariam maiores valores de supersaturação do que os tecidos
lentos, sendo que estes valores seriam reduzidos para cada tecido com o aumento
da profundidade. Por essa razão Workman utilizou a pressão máxima tolerada
(valor M) para representar o limite de cada compartimento e através de
extrapolações lineares para diferentes profundidades encontrou uma consistência
com seus dados estatísticos.
Os valores M são a representação em metros de água
salgada (mas) ou pés de água salgada (pas) dos limites de supersaturação, ou
seja, da pressão de gás inerte dissolvido e pressão ambiente em cada tecido. A
equação linear desenvolvida por Workman é:
Valor M = M0 + ∆M x P
Onde:
- M0 é o valor M para cada tecido ao nível do mar;
- ∆M é a constante usada para corrigir o valor M de um tecido para uma determinada profundidade;
- P é a profundidade em pressão.
A seguir temos os valores M na superfície e as
constantes de ajuste dos compartimentos da tabela da Marinha Americana.
|
Valores da Tabela
da Marinha Americana
|
||
|
Meio-tempo
|
M0
|
∆M
|
|
5
|
31,7
|
1,8
|
|
10
|
26,8
|
1,6
|
|
20
|
21,9
|
1,5
|
|
40
|
17,0
|
1,4
|
|
80
|
16,4
|
1,3
|
|
120
|
15,8
|
1,2
|
Com as informações fornecidas pela tabela anterior
e o conceito de meio-tempo podemos calcular o limite não descompressivo de
determinada profundidade. Vejamos um exemplo, imagine a um mergulho a 40 metros
de profundidade (máximo de pressão que pode ser alcançada é de 40 mas). Após 5
minutos (1° meio-tempo) de mergulho o tecido com meio-tempo de 5 minutos terá
absorvido uma pressão de gás inerte de 20 mas, após 10 minutos (2° meio-tempo)
de mergulho ele terá absorvido 30 mas. Considerando o valor M na superfície (M0)
de 31,7 mas, este então (10 minutos) seria o limite não-descompressivo para
esta profundidade.
Quando o limite não-descompressivo é excedido
existe a necessidade de evitarmos uma supersaturação exagerada e não
possibilitarmos o surgimento de bolhas, caso o tecido controlador apresente uma
pressão de gás inerte que supere o M0. Workman desenvolveu uma
segunda fórmula capaz de calcular até qual profundidade poderíamos subir sem
riscos de sintomas ao final de determinado tempo de em determinada profundidade.
A fórmula e:
Pdeco = (Tgd
- M0) / ∆M
Onde:
- Tgd é a pressão de gás dissolvido (mas) no tecido em dado tempo do mergulho;
- M0 é o valor M para cada tecido ao nível do mar;
- ∆M é a constante usada para corrigir o valor M de um tecido para uma determinada profundidade;
Imaginemos o mergulho anterior com mais 10 minutos
(mais 2 meios-tempos do tecido de 5 minutos) a pressão de gás absorvido seria
de 37,5 mas, isto impossibilitaria que o mergulhador deixasse o fundo a fosse
diretamente até a superfície. Ele deveria ascender até uma profundidade onde o
gradiente de pressão entre o gás dos tecidos e o gás respirado não
possibilitasse a formação de bolhas, este profundidade pode calculada da
seguinte forma:
Pdeco = (Tgd - M0)
/ ∆M
Pdeco = (37,5 – 31,7) / 1,8
Pdeco = 5,8 / 1,8
Pdeco = 3,22 metros
O mergulhador deveria então fazer uma parada na
profundidade de 3 metros antes de ir à superfície.
Sem dúvida nenhuma a grande contribuição do modelo
de Workman foi a sua capacidade de alteração da margem de segurança toda vez
que as experiências em campo mostrassem um número representativo de
mergulhadores com sintomas de doença descompressiva. Para o ajuste da margem de
segurança podemos reduzir o valor de M0, por exemplo, se ao invés de
31,7 mas o valor M0 do tecido de 5 minutos fosse 20 mas o limite
não-descompressivo seria reduzido de 10 para 5 minutos, aumentando de forma
significativa a segurança e tornando o modelo mais conservador.
Modelo de Bühlmann
O modelo de gases dissolvidos foi posteriormente
aprimorado pelo professor Albert Buhlmann através de cálculos descompressivos
mais avançados. Trabalhando no laboratório de Fisiologia Hiperbárica de Zurique
ele realizou trabalhos onde modificou os modelos de Haldane e Workmann
utilizando um algoritmo que apresenta valores M para cada tecido baseados na
pressão absoluta em altitude.
O modelo de Buhlmann tenta corrigir outra falha do
modelo de Haldane, que era o fato de 5 ou 6 tecidos podem não representar de
forma adequada a complexidade fisiológica do organismo humano. Para isso ele
aumentou o número de tecidos para 12 ou 16 com meios-tempos variando entre 2,65
e 635 minutos. Além disso, inclui valores M diferentes para nitrogênio e hélio
em cada tecido. O algoritmo de Buhlmann mais conhecido e utilizado é o SH-L16,
onde “ZH” faz referência a Zurique, “L” a limites e “16” ao número de tecidos
utilizados. Os algoritmos de Buhlmann se tornaram o padrão da indústria pela
sua grande capacidade de calcular mergulhos através de programas
descompressivos e computadores de mergulho.
O relativo sucesso dos modelos de gases dissolvidos
permitiu que mergulhadores realizassem extensivas operações de mergulho com uma
margem de segurança de 0,5% e são utilizados até hoje na maioria dos
computadores de mergulho. Contudo, os modelos de gases dissolvidos apresentam o
problema de que bolhas podem ser detectadas mesmo quando os mergulhadores
permanecem dentro dos limites não-descompressivos das tabelas e não apresentam
sintomas de doença descompressiva, assim como uma predominância de sintomas
neurológicos (DD tipo II) nos casos ocorridos no mergulho recreacional (DAN,
2004).
Estas bolhas assintomáticas foram previstas por
volta de 1951 e foram confirmadas posteriormente em trabalhos como o Dr.
Spencer (1976) que avaliou uma série de mergulhos em câmara hiperbárica com
perfis que variaram de 71
metros por 7 minutos a 7 metros por 720 minutos e
também mergulhos no mar com perfis de até 50 metros por 10 minutos.
Este trabalho demonstrou uma quantidade significativa de bolhas mesmo em
mergulhadores sem sintomas de doença descompressiva. A partir destas
investigações os trabalhos relacionados à descompressão levaram a criação de um
novo modelo descompressivo, o Modelo de bolhas.
|
Algoritmo de
Buhlmann ZH-L 16 de 1983
|
||
|
Meio-tempo
|
M0
|
∆M
|
|
2,65
|
34,2
|
1,2195
|
|
7,94
|
27,2
|
1,2195
|
|
12,2
|
22,9
|
1,2121
|
|
18,5
|
21
|
1,1976
|
|
26,5
|
19,3
|
1,1834
|
|
37
|
17,4
|
1,1628
|
|
53
|
16,2
|
1,1494
|
|
79
|
15,8
|
1,1236
|
|
114
|
15,8
|
1,1236
|
|
146
|
15,3
|
1,0707
|
|
185
|
15,3
|
1,0707
|
|
238
|
14,4
|
1,0593
|
|
304
|
12,9
|
1,0395
|
|
307
|
12,9
|
1,0395
|
|
503
|
12,9
|
1,0395
|
|
635
|
12,9
|
1,0395
|
Modelo de
Bolhas
A presença de bolhas no corpo dos mergulhadores
pode ser mensurada através de uma técnica de ultrasom, chamada de Doppler, onde
os investigadores “escutam” as bolhas na corrente sanguínea. As bolhas
detectadas podem ser classificadas em uma escala que varia de zero a quatro,
com zero indicando que nenhuma bolha esta presente e quatro representando a maior
quantidade de bolhas presentes no corpo do mergulhador. Graus de bolhas três e
quatro indicam desenvolvimento de doença descompressiva. Porém, em diversos
casos mergulhadores já tiveram sinais e sintomas de doença descompressiva com
graus de bolhas zero, um e dois, enquanto não foram detectados sinais ou
sintomas em mergulhadores com graus três e quatro. Podemos então fazer a
seguinte pergunta: Se a doença descompressiva esta relacionada com as bolhas,
porque a correlação entre elas e os sintomas não é mais óbvia?
Nos modelos de gases dissolvidos a presença de
bolhas é igual à doença descompressiva. Contudo, estudos têm mostrado que
mergulhadores podem apresentar bolhas sem que sejam afetados pelos sintomas, a
formação de bolhas após os mergulhos é um fenômeno realista e muito comum após todos
os mergulhos. Muitos especialistas acreditam que uma limitada formação de
bolhas é uma ocorrência padrão em exposições hiperbáricas e outros sugerem a
existência de micro bolhas permanentemente no nosso corpo, agindo como sementes
para formação de bolhas nos tecidos e no sangue. Estas descobertas resultaram
em uma nova teoria, a teoria das bolhas.
A principal razão para que os modelos de gases
dissolvidos sejam questionados é fato de que os valores M dos tecidos permitam
um gradiente de pressão durante a subida até a primeira parada que é
desproporcional aos gradientes do restante da descompressão, quando os tecidos
lentos estão controlando o processo descompressivo. Um trabalho mais recente
realizado pelo Dr. Alberto Marroni (Presidente do DAN Europa) que inclui 1.418
mergulhadores recreativos demonstrou a presença de bolhas na corrente venosa de
37% dos mergulhadores, mesmo quando estes estavam dentro dos limites
não-descompressivos, estando estas bolhas relacionadas ao excesso de
supersaturação nos tecidos- rápidos e médios. Estas informações justificam a
maior incidência de sintomas de doença descompressiva do tipo II (manifestações
neurológicas) reportada pelo DAN em 2004, já que o tecido nervoso pode ser
considerado um tecido rápido.
A estas bolhas é atribuído um quadro parecido com
gripe (incluindo fadiga, mal-estar, sonolência e preguiça) que pode representar
tentativa do organismo de eliminar as bolhas geradas durante a subida ou
descompressão. Com a intenção de eliminar essa possibilidade os modelos de
bolhas tentam controlar a velocidade no inicio da subida (quando ainda não
ocorreu uma grande supersaturação dos tecidos rápidos e médios) através da
introdução de paradas fundas e da utilização de velocidades de subida menores para
que a formação e o crescimento das bolhas não excedam um limite crítico,
resultando em sintomas.
Diferentemente do modelo de gases dissolvidos, o
modelo de bolhas utiliza um padrão de subida com velocidade de 18-9
metros/minuto até cerca de aproximadamente 50% da profundidade máxima (parte
profunda da subida ou descompressão) e depois desta profundidade o mergulhador
realiza uma subida lenta e gradual até a superfície, onde a velocidade é cerca
de 3 metros/minuto (parte rasa da subida ou descompressão). Quanto mais longo e
mais profundo for o mergulho (mergulho técnico, por exemplo) mais funda se
torna a profundidade onde a velocidade de subida é reduzida e mais lenta se
torna a subida a partir deste ponto. Quando comparada com os modelos de gases
dissolvidos a porção rasa da subida ou descompressão é mais curta nos modelos
de bolhas.
Um dos primeiros modelos de bolhas foi proposto por
LeMessurier e Hills em 1965, depois disso surgiu modelo VPM (Varying
Permeability Model) de David Yount, pesquisador da Universidade do Havaí e
o modelo RGBM (Reduced Gradient Bubble
Model) criado pelo Dr. Bruce Wienke. Estes modelos hoje são amplamente
utilizados em softwears descompressivos ou em computadores de mergulho, como os
das marcas Suunto e Mares.
Física das Bolhas
A teoria das bolhas leva em consideração a fase
gasosa, sendo assim é necessário conhecermos alguns aspectos fundamentais dos
modelos de bolhas para um entendimento adequado destes modelos.
Tensão
Superficial
Os líquidos apresentam a característica de uma
grande força de atração entre os átomos de hidrogênio das moléculas de água.
Esta força é que permite que um inseto possa caminhar sobre a água ou clipe de
papel não afunde quando colocado na superfície de um copo de refrigerante, esta
mesma força diminui a possibilidade de que as bolhas gasosas cresçam em um
líquido.
Alguns pesquisadores demonstraram que água pura
poderia ser comprimida e descomprimida rapidamente, com grande variação de
pressão, sem a formação de nenhuma bolha. Porem qualquer alteração, seja física
ou química, poderia diminuir a tensão superficial do líquido e favorecer a
formação de bolhas. Um exemplo desse fenômeno ocorre quando colocamos sal ou
açúcar em refrigerante e notamos uma significativa formação de bolhas sem que
ocorra nenhuma variação de pressão.
Difusão
Quando servimos um copo de refrigerante ou qualquer
bebida gasosa notamos que as bolhas próximas a superfície do copo são maiores
do que as bolhas próximas ao fundo. Esse fato não pode ser explicado pela Lei
de Boyle, já em um copo de refrigerante não permite uma variação de o dobro da
pressão, pois precisaríamos de uma coluna de 10 metros para que isso
acontecesse. O que então explica o maior tamanho das bolhas próximas a superfície?
Isto pode ser explicado pela difusão de gás dissolvido no líquido para o
interior da bolha.
O
tamanho da bolha é o fundamental determinante do crescimento ou desaparecimento
da bolha, fatores como a pressão interna da bolha, tensão superficial da pela
da bolha e a elasticidade do tecido onde se encontra a bolha estão relacionados
com o seu tamanho. Para manter a bolha em tamanho reduzido é importante manter
a pressão interna da bolha maior ou igual à tensão de gás dissolvido no tecido
que circunda a bolha. O gás dissolvido nos tecidos pode se difundir para
circulação sanguínea e para o interior da bolha, a difusão para bolha vai
depender da pressão da bolha (PBUBBLE) que é o somatório pressão
ambiente (PAMBIENT), pressão elástica do tecido (PELASTIC)
e tensão superficial da pela da bolha (PSKIN) e sua interação com a
tensão de gás inerte dissolvido no tecido (T).
A bolha cresce de T for maior do PBUBBLE,
pois esta é condição necessária para a difusão de gás dos tecidos para a bolha.
Porem, se T for menor do que PBUBBLE a tendência é que a bolha
diminua de tamanho e venha a desaparecer, já nessa situação pode ocorrer
difusão do gás na bolha para o tecido.
Nucleação
Pode ser definida como a formação da bolha e pode
ser explicada através da formação de bolhas em superfícies irregulares e
hidrofóbicas (repelem a água) quando em contato com um líquido. Por exemplo,
mergulhando uma vela ou o dedo em um líquido é possível vermos a formação de
bolhas junto à vela ou ao dedo, já que nas duas situações temos superfícies
irregulares e hidrofóbicas que diminuem a tensão superficial do líquido e
facilitam a formação de micro-núcleos gasosos.
No nosso organismo encontramos estas duas condições
(irregularidades e hidrofobia) nos vasos sanguíneos e na pele. As paredes dos vasos são
formadas por lipídios que repelem água e apresentam irregularidades, isto pode
levar a formação de micro-núcleos gasosos sem que nenhuma condição de
modificação da pressão esteja associada.
Cavitação
É possível que bolhas sejam formadas em um líquido
por um efeito chamado cavitação, onde uma força mecânica gera áreas de pressão
inferior a pressão do líquido formado bolhas. Podemos perceber a cavitação
quando agitamos com uma colher um refrigerante e percebemos a formação de um
número significativo de bolhas ou quando vemos uma hélice girando e as bolhas
que se formam por sua ação mecânica. Quando nossas válvulas cardíacas abrem e
fecham elas os poderiam ser formados e transportados pela corrente sanguínea.
Pele da Bolha
A bolha apresenta uma “pele” externa, podemos
entender esse tipo de “pele da bolha” quando olhamos uma bolha de sabão. Quando
as bolhas são pequenas a força elástica da parede da bolha é grande o que
dificulta o crescimento da mesma, porém conforme a bolha vai crescendo a força
elástica da pele da bolha vai diminuindo o que facilita ainda mais seu
crescimento. Fenômeno semelhante ocorre quando enchemos um balão de
aniversário, no inicio soprarmos no interior do balão é difícil, pois força
elástica da parede do balão é grande. Conforme conseguimos encher o balão vai
ficando cada vez mais fácil enche-lo e isto ocorre devido à diminuição da força
elástica da parede do balão. No caso da descompressão isto pode significar que
é muito importante mantermos as bolhas com tamanhos reduzidos, pois uma vez que
a bolha atinja determinado tamanho seu crescimento se torna ainda mais fácil,
aumentando as chances de sintomas de doença descompressiva.
Mensagem Final
As informações desta postagem somadas as informações das duas citadas no primeiro parágrafo desta podem ser consideradas apenas o inicio da Teoria Descompressiva. Mergulhadores que tiverem o interesse em aprofundar seu conhecimento sobre descompressão podem buscar informações em cursos e diferentes livros sobre esse tema.
Me coloco a disposição para ajudar em qualquer dúvida sobre Teoria Descompressiva.
Carlinhos/Careca
carlinhos@planetamergulho.com.br










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