BONAIRE TEK 2016
Entre os dias 08 e 14 de outubro tive o prazer de participar de um grande encontro de mergulhadores técnicos do mundo inteiro.
Este evento foi realizado em Bonaire, no Buddy Dive Resort e reuniu um grande número de mergulhadores.
O evento ofereceu saídas especiais para mergulho técnico, test dive de diferentes equipamentos (scooters, rebreathers, sidemount e backmount) e também palestras sobre diferentes temas do mergulho técnico.
Entre os palestrantes estiveram por lá:
- Mr. G - Duddy Dive Tek
- Jef Loflin - PADI
- Peter den Hann - apDiving/Silent Diving
- Randy & Michael Thornton - SubGravity/HammerHead
- Tim O´Leary & Daniel Milikivsky - NAUI Tech
- Reinaldo Alberti - Acquanauta
- Kirril Egorov - GUE
Além de poder assistir as palestras e experimentar diferentes equipamentos, também tive a grande honra de ser um dos palestrantes. Falei sobre o exercício físico e a aptidão física como estratégia descompressiva.
A seguir farei um resumo desta palestra, espero que vocês apreciem.
Estratégias Descompressivas - Aptidão Física e Exercício
Qual equipamento de mergulho vocês acreditam ser o mais importante? Muitos mergulhadores citariam o regulador, o computador ou qualquer outro. Porém na minha opnião o equipamento mais importante é o próprio mergulhador!
Por isso é importante que tenhamos um estilo de vida que garante ao "equipamento mergulhador" uma "boa manutenção". Este estilo de vida envolve exercício, repouso e alimentação adequada. Para mais inforrmações acesse www.metodoevolutivo.com.
Para avaliarmos como a aptidão física e o exercício poderiam ser consideradas uma estratégia descompressiva devemos usar a ciência baseada em evidências.
Três importante pontos devem ser considerados quando falamos de exercício e aptidão física como estratégia descompressiva. São eles: capacidade aeróbica, idade e gordura corporal.
A lietratura científica sobre esses temas é grande (veja alguns exemplos no final da postagem), hoje vou citar dois trabalhos que representam as informações que podem ser levantadas após a analise da literatura existente.
Carturan D. et al. 2002. Ascent rate, age, maximal oxygen uptake, adiposity, and circulating venous bubbles after diving.
O objetivo dos autores foi avaliar o grau de bolhas venosas (que é uma forma de determinar o risco de Doença Descompressiva) levando em consideração duas velocidades de subida diferentes (9m/min ou 17m/min), a idade, a aptidão física (capacidade cardiorespiratória) e o percentual de gordura corporal.
Os resultados aparecem nos gráficos que seguem.
Ao ser avaliada a idade dos mergulhadores, podemos ver que o número de casos de grau de bolhas entre 1-4 foi maior entre os mergulhadores com mais de 37 anos nas das duas velocidades (barras brancas e pretas no direito do gráfico).
Como podemos notar, o número de ocorrências de grau de bolhas entre 1-4 também foi maior entre os mergulhadores com menor capacidade cardiorespiratória (VO2 máx < 40ml/min/kg). Para que homens e mulheres de diferentes idades tenham uma capacidade aeróbica superior aos 40ml/min/kg é necessário que estes consigam correr 2400 metros em 12 minutos (essa é uma das formas de fazer essa avaliação, existem outras).
Considerando o percentual de gordura, o número de casos de grau de bolhas entre 1-4 foi maior entre os mergulhadores com mais 17,5% de gordura corporal.
Dujic Z, et al. 2004. Aerobic exercise before diving reduces venous gas bubble formation in humans.
Neste trabalho os mergulhadores foram testados após mergulhos simulados em câmara hiperbárica em pressão equivalente a 30 metros por 80 minutos. Subiram até a pressão equivalente a 12 metros em uma velocidade de 9 m/min e permaneceram por 7 minutos e depois a pressão foi reduzida até o equivalente a 0 metros na mesma velocidade.
Os mergulhos simulados foram realizados em 2 situações. Na primeira foi realizada uma sessão de exercício de corrida intervalada de 40 minutos e na outra o mergulho foi realizado sem exercício prévio.
Após as duas situações de mergulho foi avaliada a quantidade de bolhas venosas no coração e na artéria pulmonar.
A figura anterior mostra o coração de um dos indivíduos após o mergulho, após o mergulho sem exercício e após o mergulho com exercício prévio. É possível notar que após o mergulho sem exercício a quantidade do bolhas (pontos brancos) no lado direito (RV) e esquerdo do coração (LV) é muito maior do que após o mergulho com o exercício prévio.
Olhando atentamente a figura, praticamente não notamos bolhas no no lado direito (RV) e esquerdo do coração (LV) após o mergulho onde os 40 minutos de exercício foi realizado anteriormente.
Observações Finais
Resultados como os citados anteriormente podem ser obtidos após uma análise de outros trabalhos publicados sobre esse tema (lista de referências no final da postagem).
Podemos dizer que até o momento as evidências apontam na direção que o exercício prévio ao mergulho e um bom nível de capacidade cardiorespiratória são consideradas estratégias descompressivas efetivas para diminuição do risco de Doença Descompressiva.
Carlinhos/Careca
carlinhos@planetamergulho.com.br
Lista de referências
Boycott AE, Damant GC. 1908. Experiments on the Influence of Fatness on
Susceptibility to Caisson Disease.
Broome JR, etal. 1995. Exercise
conditioning reduces the risk of neurologic decompression illness in swine.
Buzzacott P, et al. 2016. Age, weight and decompression sickness in rats.
Dujic Z, et al. 2004. Aerobic exercise before diving reduces venous gas bubble formation in humans.
Nikolaev VP. 2004. Probabilistic model of decompression sickness
based on stochastic models of bubbling in tissues.
Philp RB, Gowdey CW. 1964. Experimental analysis of the
relations between body fat and susceptibility to decompression sickness.
Rattner BA, et al. 1979. Cross-adaptive effects of cold,
hypoxia, or physical training on decompression sickness in mice.
Wisløff U,Brubakk AO. 2001. Aerobic endurance training reduces
bubble formation and increases survival in rats exposed to hyperbaric pressure.
Vernon HM. 1907. The solubility od air in fats and
relation to caisson disease.
Allen TH. 1971. Body fat, denitrogenation and decompression
sickness in men excercising after abrupt exposure to altitude.
Carturan D. et al. 1999. Circulating venous bubbles inrecreational diving: relationships with age, weight, maximal oxygen uptake andbody fat percentage.
Carturan D. et al. 2002. Ascent rate, age, maximal oxygen
uptake, adiposity, and circulating venous bubbles after diving.
Curley MD, et al. 1989. Percent body fat and human
decompression sickness.
Dembert ML, et al. 1984. Health
risk fator for the development of decompression sickness among U.S. Navy diver.
Schellart NAM, et al. 2012. Doppler bubble grades after diving
and relevance of body fat.
Ri-Li G, et al. 2003. Obesity: Associations with Acute Mountain
Sickness.
Webb JT, et al. 2003. Gender Not a Factor for Altitude
Decompression Sickness Risk.



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