Mais uma postagem sobre tubarões e mergulhadores!
Recentemente li nas redes sociais um notícia sobre um ataque de um tubarão tigre nas Ilhas Cocos.
Para ler a notícia clique aqui.
Infelizmente, na semana passada, justamente quando eu estava fechando a revisão dos textos do meu livro sobre tubarões, uma mergulhadora foi morta e um guia ferido gravemente, mordidos por um tubarão-tigre no Arquipélago de Coco, na Costa Rica. O ataque, não provocado, causou uma tremenda discussão.
Basicamente todos raro relato de mordida de tubarão a mergulhador envolvia guias alimentando tubarões “na mão”, ou caçadores submarinos, com isca no arpão, em apnéia. Menciono a apnéia porque sabemos que as bolhas e os ruidos emitidos pelo mergulhador autônomo costumam espantar os tubarões, sem exceção. Até por isto, muitas espécies de tubarão só podem ser bem observadas com a utilização de engodo, utilizado no Shark Feeding.
Tubarões são predominantemente carniceiros, preferindo presas mortas ou já feridas, e seguramente relacionadas ao seu habitat, do qual não fazemos parte. O mergulhador equipado é grande, estranho, solta muitas bolhas, e faz muito ruido. E se quisermos ser mais científicos, a composição corporal do ser humano não agrada a dieta dos tubarões. Ao contrário de leões, por exemplo, o tubarão não come o ser humano. A maioria dos ataques é investigativa, onde o tubarão faz uma mordida de investigação e vai embora.
Quando um ataque é divulgado, especialmente nos dias atuais, com a famosa mídia social, todos viram experts, muitos tem opiniões qualificadas, e poucos podem esperar um relato mais claro do que realmente aconteceu. E volto a repetir, ataques a mergulhadores são tão raros!!
A Unversidade da Flórida e seu Museu de História Natural mantém dados, o famoso Shark Attack Files, compilando acidentes com tubarões pelo mundo todo, ano após ano. Sem entrar em detalhes, em 2016 tivemos 84 ataques não provocados (quando não houve qualquer interação provocativa do ser humano, antes do ataque), 58 por cento dos quais em surfistas, pouco mais de 32 por cento em banhistas, 4.9 por cento em snorkelers, e apenas 1 ataque a mergulhador autônomo.
Sobre o recente ataque, o amigo, cinegrafista e shark diver Lawrence Wahba fez uma reflexão excelente, que pode ser encontrada na internet. Farei aqui um apanhado geral e orientações
Importante mencionar que a descrição dos eventos do Lawrence são de um cinegrafista professional, que entra na água em condições de risco maior, que muitos mergulhadores recreativos deveriam evitar. O Law, além de ter muita experiência no assunto, faz esta atividade profissionalmente, o que o obriga a tomar diversas medidas adicionais de segurança.
Como guia de mergulhadores recreativos, levei turistas para ver tubarões primariamente em shark dives de baixo risco, e alguns um pouco mais escabrosos, mas raramente passei por uma situação de risco real que não pudesse ser resolvida sem maiores incidentes. Não sou gato e portanto não tenho 7 vidas.
Compilando um pouco o assunto, gostaria de fazer algumas sugestões e orientações para os mergulhadores que querem encontrar os belos tubarões. Cada tipo de mergulho exige um cuidado particular, não podendo generalizar.
2. Ao participar de shark feedings, pesquise bem a operação a ser usada, qual a segurança oferecida e o tipo de interação. Você precisa saber os riscos envolvidos e se realmente quer participar da atividade. Pergunte-se qual sua meta ao entrar neses mergulhos. Se a resposta for “muita adrenalina”, fique fora, por favor!!
3. Sempre que for participar de um feeding, evite equipamentos cintilantes, especialmente as nadadeiras, e tenha tudo próximo do corpo, preso. Certa vez tive minha fonte alternativa de ar (octopus) mordida por um tubarão.
4. Faça destes mergulhos uma oportunidade de observar os tubarões, fazer imagens e de preferência com uma câmara grande, que como o Lawrence mencionou, pode ser uma barreira, ou com outro anteparo que possa afastar um bichano mais curioso, mas não saia dando “porradas” desnecessárias nos tubarões.
Esta discussão precisa trancender o mundo dos mergulhadores, pois no momento que escrevo este texto, a internet está polvilhando de críticas aos shark dives, depois do acidente. O mais curioso é que o mesmo ocorreu num mergulho convencional, não era um shark dive e sim um mergulho num arrecife onde existem tubarões.
Até onde sei, tubarões podem estar por todos os oceanos, são vistos frequentemente por drones muito próximos de banhistas em diversas praias, enfim o binômio homem + mar tem que aceitar a presença de um habitante, o tubarão. Que está na natureza cumprindo seu papel, e que muito raramente pode ter um desvio do seu comportamento, e atacar um ser humano, provocado ou não.
Agora posso contar para vocês a única técnica garantida de não ser mordido por tubarões: não entre na água. Não se divirta na arrebentação, não pise com água pelo joelho, não faça surfe nem bodyboard, Standup paddle nem pensar. E por fim não mergulhe!! Mas é isto que alguns radicais da internet propagam, porque embora raro, você tem muito mais chances de ser mordido por um tubarão na arrebentação do que mergulhando com cilindro.
Alías, como mencionado no livro do Marcelo Szpilman, você tem muito mais chances de morrer indo para a praia, do que andando na praia (onde alias você pode morrer eletrocutado por um raio, ou com um traumatismo craniano porque um coco caiu na sua cabeça), do que entrando na água e do que ficando na água. Se você não acredita em mim (ne meu sei se acredito), consulte os arquivos de ataques de tubarão no site https://www.floridamuseum.ufl.edu/fish/isaf/worldwide-summary/. O próprio site tem orientações para mergulhadores, e a primeira frase é “ao avistar um tubarão, aproveite para desfrutar este majestoso animal”. O resto da história você lê por lá
Para ler a notícia clique aqui.
Por esse motivo reproduzo aqui uma postagem do meu amigo, médico e instrutor de mergulho especialista em terapia Gabriel Ganme.
Em uma postagem anterior escrevi sobre um livro que será lançado sobre tubarões e o Gabriel também é o autor.
Espero que a leitura traga esclarecimentos e tranquilidade a todos ir mergulhadores, banhistas e surfistas.
Abraço, Carlinhos.
Acidentes entre Tubarões e Mergulhadores
Ataques de tubarões a mergulhadores são raríssimos, praticamente ausentes nas estatísiticas gerais de acidentes com estes animais.
Infelizmente, na semana passada, justamente quando eu estava fechando a revisão dos textos do meu livro sobre tubarões, uma mergulhadora foi morta e um guia ferido gravemente, mordidos por um tubarão-tigre no Arquipélago de Coco, na Costa Rica. O ataque, não provocado, causou uma tremenda discussão.
Basicamente todos raro relato de mordida de tubarão a mergulhador envolvia guias alimentando tubarões “na mão”, ou caçadores submarinos, com isca no arpão, em apnéia. Menciono a apnéia porque sabemos que as bolhas e os ruidos emitidos pelo mergulhador autônomo costumam espantar os tubarões, sem exceção. Até por isto, muitas espécies de tubarão só podem ser bem observadas com a utilização de engodo, utilizado no Shark Feeding.
Tubarões são predominantemente carniceiros, preferindo presas mortas ou já feridas, e seguramente relacionadas ao seu habitat, do qual não fazemos parte. O mergulhador equipado é grande, estranho, solta muitas bolhas, e faz muito ruido. E se quisermos ser mais científicos, a composição corporal do ser humano não agrada a dieta dos tubarões. Ao contrário de leões, por exemplo, o tubarão não come o ser humano. A maioria dos ataques é investigativa, onde o tubarão faz uma mordida de investigação e vai embora.
Quando um ataque é divulgado, especialmente nos dias atuais, com a famosa mídia social, todos viram experts, muitos tem opiniões qualificadas, e poucos podem esperar um relato mais claro do que realmente aconteceu. E volto a repetir, ataques a mergulhadores são tão raros!!
A Unversidade da Flórida e seu Museu de História Natural mantém dados, o famoso Shark Attack Files, compilando acidentes com tubarões pelo mundo todo, ano após ano. Sem entrar em detalhes, em 2016 tivemos 84 ataques não provocados (quando não houve qualquer interação provocativa do ser humano, antes do ataque), 58 por cento dos quais em surfistas, pouco mais de 32 por cento em banhistas, 4.9 por cento em snorkelers, e apenas 1 ataque a mergulhador autônomo.
Não entrarei aqui em detalhes do porque destes números, que estão bem explicados no livro “Tubarões no Brasil” do biólogo marinho Marcelo Szpilman, co-autor de alguns capítulos deste livro e director do Aquario do Rio de Janeiro – Aquario!!
Sobre o recente ataque, o amigo, cinegrafista e shark diver Lawrence Wahba fez uma reflexão excelente, que pode ser encontrada na internet. Farei aqui um apanhado geral e orientações
Importante mencionar que a descrição dos eventos do Lawrence são de um cinegrafista professional, que entra na água em condições de risco maior, que muitos mergulhadores recreativos deveriam evitar. O Law, além de ter muita experiência no assunto, faz esta atividade profissionalmente, o que o obriga a tomar diversas medidas adicionais de segurança.
Como guia de mergulhadores recreativos, levei turistas para ver tubarões primariamente em shark dives de baixo risco, e alguns um pouco mais escabrosos, mas raramente passei por uma situação de risco real que não pudesse ser resolvida sem maiores incidentes. Não sou gato e portanto não tenho 7 vidas.
Compilando um pouco o assunto, gostaria de fazer algumas sugestões e orientações para os mergulhadores que querem encontrar os belos tubarões. Cada tipo de mergulho exige um cuidado particular, não podendo generalizar.
1. Comece seus primeiros encontros em locais que tenham tubarões sem a necessidade de feeding, para que você se familiarize com os mesmos. E de preferência, com espécies menores e mais tranquilas. Não faça mergulhos com tubarões antes de aprender a mergulhar bem, com bom controle de flutuabilidade e calma na água.
2. Ao participar de shark feedings, pesquise bem a operação a ser usada, qual a segurança oferecida e o tipo de interação. Você precisa saber os riscos envolvidos e se realmente quer participar da atividade. Pergunte-se qual sua meta ao entrar neses mergulhos. Se a resposta for “muita adrenalina”, fique fora, por favor!!
3. Sempre que for participar de um feeding, evite equipamentos cintilantes, especialmente as nadadeiras, e tenha tudo próximo do corpo, preso. Certa vez tive minha fonte alternativa de ar (octopus) mordida por um tubarão.
4. Faça destes mergulhos uma oportunidade de observar os tubarões, fazer imagens e de preferência com uma câmara grande, que como o Lawrence mencionou, pode ser uma barreira, ou com outro anteparo que possa afastar um bichano mais curioso, mas não saia dando “porradas” desnecessárias nos tubarões.
Esta discussão precisa trancender o mundo dos mergulhadores, pois no momento que escrevo este texto, a internet está polvilhando de críticas aos shark dives, depois do acidente. O mais curioso é que o mesmo ocorreu num mergulho convencional, não era um shark dive e sim um mergulho num arrecife onde existem tubarões.
Até onde sei, tubarões podem estar por todos os oceanos, são vistos frequentemente por drones muito próximos de banhistas em diversas praias, enfim o binômio homem + mar tem que aceitar a presença de um habitante, o tubarão. Que está na natureza cumprindo seu papel, e que muito raramente pode ter um desvio do seu comportamento, e atacar um ser humano, provocado ou não.
Agora posso contar para vocês a única técnica garantida de não ser mordido por tubarões: não entre na água. Não se divirta na arrebentação, não pise com água pelo joelho, não faça surfe nem bodyboard, Standup paddle nem pensar. E por fim não mergulhe!! Mas é isto que alguns radicais da internet propagam, porque embora raro, você tem muito mais chances de ser mordido por um tubarão na arrebentação do que mergulhando com cilindro.
Alías, como mencionado no livro do Marcelo Szpilman, você tem muito mais chances de morrer indo para a praia, do que andando na praia (onde alias você pode morrer eletrocutado por um raio, ou com um traumatismo craniano porque um coco caiu na sua cabeça), do que entrando na água e do que ficando na água. Se você não acredita em mim (ne meu sei se acredito), consulte os arquivos de ataques de tubarão no site https://www.floridamuseum.ufl.edu/fish/isaf/worldwide-summary/. O próprio site tem orientações para mergulhadores, e a primeira frase é “ao avistar um tubarão, aproveite para desfrutar este majestoso animal”. O resto da história você lê por lá
Bons mergulhos.
Gabriel Ganme
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