TÉCNICAS FUNDAMENTAIS - CONTROLE DE FLUTUABILIDADE

Com intenção de passar os conhecimentos necessários para que você esteja apto para aproveitar ao máximo suas experiências de mergulho e também, caso deseje, se aventurar nas atividades avançadas de mergulho criei uma série de postagens chamada Técnicas Fundamentais.

Você pode ler as duas postagens anteriores clique aqui e aqui. 

Hoje escrevo sobre controle de flutuabilidade, aproveite bem a leitura!




CONTROLE DE FLUTUABILIDADE - Dominando seu corpo na água.

Controle de flutuabilidade é a habilidade de um mergulhador de manter uma exata posição no plano vertical em uma coluna de água. 

O principal objetivo de um mergulhador é manter a flutuabilidade neutra durante um mergulho, controlando seu volume e consequentemente quanto de água ele desloca.



O controle de flutuabilidade irá determinar quanto confortável, eficiente e seguro o mergulhador permanecerá enquanto submerso, permitindo que ele atinja os seguinte pontos:
  • Conservar energia;
  • Manter a profundidade alvo;
  • Solucionar problemas sem causar complicações adicionais;
  • Realizar uma subida/descompressão de forma segura;
  • Proteger o meio ambiente;
  • Ter um mergulho divertido.
A proficiência no controle de flutuabilidade pode ser mensurada pela capacidade do mergulhador de manter determinada profundidade sem alterações não intencionais. 

Consequentemente isso também determina a capacidade do mergulhador de modificar sua profundidade de forma intencional, como também a capacidade de realizar diferentes tarefas mantendo seu posicionamento no plano vertical.  

Poderíamos dizer que as performances exigidas, em relação ao controle de flutuabilidade, são:
  • A variação de profundidade não deveria ser maior do que 1,5 metros, medidos considerando uma profundidade específica.
  • Deve-se ter controle total sobre descidas e subidas.
  • Ser capaz de completar paradas de segurança com uma oscilação mínima de profundidade.
Considerando a Lei de Boyle, controle de flutuabilidade significa uma compensar constantemente os efeitos de compressão e expansão que ocorrem no colete equilibrador e na roupa de exposição de neoprene.



A compensação da compressão e expansão torna o mergulhador capaz de controlar quanto de água será deslocada e dessa forma alterar sua profundidade mantendo flutuabilidade neutra.

Existem dois pontos fundamentais em relação à Lei de Boyle e o Principio de Arquimedes a ser considerados quando desejamos controlar eficientemente a flutuabilidade durante o mergulho, são eles:
  • Durante a descida – O gás/ar no equipamento do mergulhador e as diferentes ferramentas de controle da flutuabilidade serão comprimidos devido ao aumento da pressão. Dessa forma o volume do mergulhador ficará menor, menos água será deslocada e sua flutuabilidade ficará negativa.
  • Durante a subida – Os mesmos volumes de gás/ar irão se expandir, o volume do mergulhador irá aumentar, mais água será deslocada e a flutuabilidade irá se tornar positiva.         

Elementos Fundamentais para o controle adequado de flutuabilidade

Existem 4 coisas que são fundamentais para que um mergulhador possa controlar adequadamente sua flutuabulidade, são eles: o controle de flutuabilidade deve ser um hábito e não um a “habilidade”,  é necessário dominar 5 elementos básicos, conhecer o trio CAA e nunca infligir as três regras vitais.

O controle de flutuabilidade de ser tornar um hábito

Acredito que você concorde comigo que simplesmente é melhor desenvolver bons hábitos desde o início, do que ter que corrigir hábitos ruins mais tarde. Infelizmente, algumas vezes os mergulhadores acabem adquirindo o dos pior hábitos  que um mergulhador possa ter. E isso é tocar ,apoiar ou perturbar o fundo constantemente.

Nos cursos básicos o  controle de flutuabilidade é tratado como uma "habilidade", fazendo com que os mergulhadores pensem nela como o esgotamento da máscara, uma habilidade que somente é  executada esporadicamente. Mas ele deve ser encarado como uma hábito vital para que você não trate o ato de tocar no fundo com algo normal e frequente.

O controle de flutuabilidade deve ser tratado como um hábito, assim como não colocarmos constantemente a máscaras na testa, deixarmos os tanques de pé sem vigilância ou não exalarmos no segundo estágio do regulador quando o colocamos na boca.

A única maneira de dominar eficazmente o controle de flutuabilidade é praticá-lo como você quando respira continuamente durante todo o mergulho (evitando barotrauma pulmonar) ou quando equaliza frequentemente durante a descida antes do surgimento de algum desconforto no ouvido. Ou seja, um hábito que você precisa desenvolver e continuam a praticar sem que alguém lhe diga para fazer.

Cinco elementos básicos

São eles: configuração equilibrada, lastro adequado, controle respiratório, uso do colete equilibrador e envolvimento pessoal.




Configuração equilibrada

A posição horizontal do corpo é fundamental para que o controle da flutuabilidade seja possível. 

Existem duas coisas que quando configuradas inadequadamente vão garantir que a manutenção do trim seja impossível. São elas: 
  • Roupas de neoprene com mangas e pernas custas, também conhecidas como “shorty”. Essas fornecem flutuabilidade positiva para o tronco, enquanto permitem que as penas fiquem com flutuabilidade negativa. 
  • Cintos de lastro que concentram os pesos abaixo do centro de gravidade, fazendo com que as pernas fiquem ainda mais negativas.

Do ponto de vista de uma configuração equilibrada o correto é usar uma roupa de neoprene inteira e os coletes do tipo asa ou modelos jackets com lastro integrado. Isso irá possibilitar que tanto o tronco, quanto os membros inferiores tenham uma flutuabilidade semelhante, permitindo a manutenção do trim.

Lastro adequado

Quantas vezes na sua vida de mergulhou você, depois de certificado, perguntou para um Divemaster ou Instrutor quantos pesos de lastro você precisa? 

Caso você tenha feito essa pergunta, isso irá significar que um dos elementos básicos do controle da flutuabilidade é ou era desconhecido para você. Infelizmente, muitos mergulhadores estão nessa condição.

Isso acontece porque em algumas situações quando da primeira sessão de piscina do curso básico os alunos utilizam uma quantidade de lastros que faz com que eles fiquem “grudados” no fundo. O que para muitos facilita a aprendizado de algumas habilidades incialmente, mas que depois irá impedir que estas sejam realizadas em águas abertas com flutuabilidade neutra.

Outro aspecto negativo disso é que os alunos rapidamente adotam o hábito usar mais lastro do que necessariamente precisam. Usar muito peso passa a ser um hábito "normal". Gerando a idéia errada de que a única coisa que se precisa para descer esgotar o seu colete equilibrador e descer como uma pedra.

Um dos pontos necessários para que o controle de flutuabilidade se torne um hábito é aprender a usar a quantidade adequada de lastro. O lastro adequado um fundamento vital do bom controle de flutuabilidade,  os alunos que usam uma quantidade de pesos excessiva terão dificuldade em aproveitar os outros elementos do controle de flutuabilidade, incluindo o colete equilibrador.

Controle respiratório

Mesmo que não consciente disso, os mergulhadores mais experientes têm uma ideia do papel da respiração sobre controle da flutuabilidade. 

Eles basicamente sabem que quando se inspira mais profundamente, ocorre uma aumento da flutuabilidade positiva. Sabem também que o oposto é verdadeiro, quando se expira mais prolongadamente, a flutuabilidade se torna mais negativa.

Uso do colete equilibrador

Não há como negar que o uso de colete equilibrador desempenha um papel significativo na compensação das variações de volume geradas pelas alterações na profundidade. Contudo, esse papel geral no controle de flutuabilidade gera uma influência que não supera aquela gerada pelo lastro adequado e o controle respiratório.

Envolvimento pessoal

Existe uma frase no mergulho técnico que diz o seguinte: “somente você descomprime por você”. Esse conceito pode ser aplicado para a flutuabilidade: “somente você controla a flutuabilidade por você”. O mergulhador necessita ser proativo e não reativo no que diz respeito ao controle de flutaublidade. Você precisa agir antes de começar a afundar ou subir sem controle.

Conhecendo o trio CAA

Mesmo que uso do colete não seja o único aspecto importante para um bom flutuabilidade, seu controle é o aspecto que a maioria dos mergulhadores acham difícil. Para que usar o colete equilibrador seja uma tarefa mais simples você deve conhecer o trio CAA. O que exatamente é esse trio?




O primeiro componente é a consciência. Você precisa estar constantemente ciente do ambiente de mergulho para que ele lhe forneça uma referência visual instantânea de que você está alterando a profundidade e consequente a pressão. Lembre alterações na pressão geram alterações no volume do colete que precisam ser compensadas.

Estando consciente das alterações de profundidade você pode então usar o segundo componente do trio, que é a antecipação. Se você perceber que sua profundidade está mudando, você precisa antecipar a necessidade de um possível ajuste de flutuabilidade, localizando e usando o inflador/esgotador do seu colete. Isso impedirá que você perca tempo tentando localizá-lo quando seu uso for obrigatório.

E para completar temos a ação. Caso você esteja subindo ou descendo em uma situação que fazer o controle de flutuabilidade através da respiração não suficiente, você precisa agir adicionando ou retirando o ar de seu colete para manter a flutuabilidade neutra.

Três regras vitais

Você já deve saber que ficar em pé, sentado ou ajoelhado no fundo são três piores hábitos que um mergulhador pode ter.




As 3 regras vitais se referem justamente à esses três hábitos e são:
  • Nenhum mergulhador está autorizado a ficar em pé no fundo.
  • Nenhum mergulhador está autorizado a ficar sentado no fundo.
  • Nenhum mergulhador está autorizado a ficar ajoelhado no fundo.

Isso não significa que os mergulhadores nunca possam estar em contato com o fundo. Em algumas circunstâncias isso pode ser necessário para que a estabilidade necessária para a realização de alguma tarefa seja conseguida, como ao esgotar máscara ou recuperar o regulador. Se isso for necessário tome cuidado para tocar suavemente as pontas das suas nadadeiras no fundo, permanecendo o mais próximo do trim possível.

Contudo existe um método mais adequado para garantir essa estabilidade quando necessário. Siga a seguinte recomendação: antes tocar o fundo com a mão do que com o corpo e antes tocar o fundo com o dedo do que com a mão. Essa recomendação permite que os mergulhadores mantenham a posição horizontal durante todas as situações do mergulho.

Se você gostou desse texto e tem interesse em melhorar essa e as outras técnicas fundamentais clique aqui e conheça a CLÌNICA DE TÉCNICAS FUNDAMENTAIS. Treinamento ministrado por mim na PLANETA MERGULHO.

A próxima postagem desta série irá tratar do controle de flutuabilidade! 

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Grande abraço!
Carlinhos/Careca
artecscuba@gmail.com

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