´TECNICAS FUNDAMENTAIS - PROPULSÃO
Com intenção de passar os conhecimentos necessários para que você esteja apto para aproveitar ao máximo suas experiências de mergulho e também, caso deseje, se aventurar nas atividades avançadas de mergulho criei uma série de postagens chamada Técnicas Fundamentais.
Técnicas de Propulsão - Deslocamento adequado no mergulho.
Depois que o mergulhador consegue controlar a
respiração, manter o trim e controlar a flutuabilidade ele possui os requisitos
para conseguir usar de forma eficiente as diferentes técnicas de propulsão.
Quando um mergulhador domina as técnicas de
propulsão terá diferentes benefícios:
- Nadar com segurança sobre ambientes de risco (ex. naufrágios);
- Evitar danos a estruturas subaquáticas frágeis (ex. corais e espeleotemas);
- Evitar danos a vida subaquática;
- Nadar contra correntes de forma mais eficiente;
- Conservar energia e reduzir o risco de câimbras;
- Experimentar a liberdade em três dimensões.
Podemos definir o termo propulsão como a forma ou
meio capaz de gerar o deslocamento de determinado objeto ou corpo, no caso
específico, no meio líquido. No mergulho SCUBA, diferentemente da natação, a
propulsão deve ser gerada somente pelos membros inferiores (MsIs) que
apresentam uma eficiência superior aos membros superiores (MsSs). Esta
superioridade acontece devido às diferenças fisiológicas e biomecânicas existentes
entre os eles.
No que diz respeito à questão fisiológica temos o
fato de que os trabalhos comparando exercícios realizados com os MsSs e
exercícios com os MsIs, mostram que os primeiros geram valores de frequência
cardíaca e ventilatória superiores aos gerados por exercícios com os MsIs,
valores que são de 10% a 15% maiores. Isto não traz vantagens no mergulho
SCUBA, já que estas alterações podem influenciar de maneira negativa o ciclo
ventilação-flutuabilidade-riscos.
Quando analisando a questão biomecânica temos uma
maior capacidade de produção de energia devido as alavancas e maiores áreas
musculares nos MsIs do que nos MsSs.
Sendo assim nossa discussão sobre propulsão irá englobar as técnicas de
pernadas e as técnicas de manobra.
Técnicas de Pernada
Os tipos de pernadas existentes podem ser
classificados considerando três critérios, plano dos movimentos articulares,
direção do deslocamento de água que gera propulsão e possibilidade de distúrbio
de sedimentos.
Considerando o plano dos movimentos articulares
temos dois tipos de pernadas, as pernadas no plano horizontal e no plano
vertical. Quando o critério é o deslocamento de água, temos as pernadas que
deslocam água para trás e para baixo, as que deslocam água somente para trás e
as que deslocam água para trás e para cima.
Para classificar a possibilidade de distúrbio de
sedimentos precisamos primeiramente entender que esta classificação leva e
consideração que os ambientes de mergulho na sua grande maioria apresentam os
sedimentos depositados no fundo, algumas vezes no teto de determinado ambiente
e com uma frequência ainda menor, nas paredes de algum local de mergulho. Dessa
forma podemos classificar as pernadas como pernadas com grande, médio e pequeno
risco de distúrbios dos sedimentos.
Tipos de Pernadas
Esta pernada, como diz o nome, é a pernada do nada
crawl executada com nadadeiras. Com relação ao movimento realizado sem
nadadeiras temos que durante o mergulho SCUBA, devido ao uso da nadadeira,
ocorre uma flexão do joelho mais acentuada do que sem a nadadeira. Este tipo de
pernada ocorre no plano vertical deslocando água para trás e para baixo,
apresentando grande chance de distúrbios de sedimentos. Considerando as
características deste tipo de propulsão ela é indicada para deslocamentos em
ambientes onde o mergulhador pode manter-se afastado do fundo.
A meia pernada ou pernada modificada é uma variação
da pernada de crawl, nesta situação somente ocorre movimento da articulação do
joelho, mantendo-se as coxas paralelas ao fundo já que não há movimento da
articulação do quadril. Assim como a pernada de crawl também ocorre no plano
vertical, porém deslocada água para trás e para cima, apresentando uma chance
média de distúrbio de sedimentos. Ela pode ser utilizada quando o mergulhador
se encontra próximo ao fundo.
Esta pernada simplesmente é a execução da meia
pernada com um movimento reduzido dos joelhos, onde as pernas ficam próximas a
um ângulo de noventa graus com coxa, fazendo com que as nadadeiras permaneçam
longe do eixo sagital ou plano horizontal. Apesar de gerar menos deslocamento
do que a meia pernada esta alteração diminui ainda mais a probabilidade de
distúrbio de sedimentos.
A pernada de sapo é semelhante ao movimento dos
MsIs realizado no nado de peito, a diferença esta no joelho. Na pernada de sapo
o joelho mantém uma posição fixa de flexão, onde os movimentos nas fases de
propulsão e recuperação são realizados pelas articulações do quadril e do
tornozelo. Esta técnica de propulsão é realizada no plano horizontal, com a
fase de propulsão e recuperação realizadas simultaneamente pelos MsIs e
apresenta um deslocamento de água para trás. É indicada para ambientes com
correntes ou de baixo fluxo, para natações com grande proximidade do fundo,
independente da composição do fundo, por apresentar pequeno de risco de
distúrbio de sedimentos.
Pernada de Sapo Reduzida
Nesta situação os movimentos articulares são os
mesmo da pernada de sapo, porém são realizados com menor amplitude e os joelhos
são mantidos em posição de flexão quase em um ângulo de noventa graus. Estas
alterações são baseadas nos mesmo fundamentos da meia pernada reduzida,
diminuição da capacidade de deslocamento com diminuição das chances de
distúrbio de sedimentos.
Técnicas de Manobra
Podemos definir as técnicas de manobra como tipos
de pernadas que não tem o objetivo de deslocamento e sim de realizar uma
manobra para alteração de posicionamento. Temos então, duas técnicas de manobra
a pernada de ré e o helicóptero.
Pernada de Ré
A pernada de ré é a pernada de sapo realizada de
forma inversa. Na pernada de sapo a fase de propulsão se dá no momento em os
MsIs são aproximados (abdução da articulação do quadril). No caso da pernada de
ré a fase de propulsão ocorre no momento em os MsIs são afastados (abdução da
articulação do quadril). Para que isso seja eficiente em deslocamento é
necessário que as palas das nadadeiras estejam perpendiculares ao fundo.
Analisando o quadro que segue é possível perceber as diferenças.
Helicóptero
Esta técnica o mergulhador utilizada para girar em
um eixo horizontal (considerando a posição anatômica) que passa pelo umbigo.
Este giro pode ser realizado para esquerda ou direita. Existem duas formas de
executarmos o helicóptero.
A primeira
envolve movimentos repetidos (de pequena amplitude) de rotação interna e
externa da articulação do quadril e da articulação do joelho somados a
circundução do tornozelo, enquanto o joelho permanece em uma posição de flexão,
já essa condição é obrigatória para o joelho possa realizar as rotações.
Quando
o mergulhador quer girar para esquerda ele realiza o movimento com o MI direito
no sentido horário, caso ele queira girar para direita faz o movimento com o MI
esquerdo no sentido anti-horário.
A segunda maneira, que envolve um maior grau de
coordenação motora, é realizar a pernada de sapo com um MI e a pernada de ré
com o outro MI. Caso o mergulhador queira girar para direita o MI direito deve
executar a pernada de ré e o esquerdo a pernada de sapo. Quando o gira é para
esquerda a ação dos MsIs deve ser contrária a citada anteriormente.
artecscuba@gmail.com
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A próxima postagem desta série irá tratar do controle de flutuabilidade!
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Grande abraço!
Carlinhos/Careca
artecscuba@gmail.com

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